“A Qualquer Custo” surpreende por sua simplicidade, força e atuações.

large_mDsGh5Nez6ahrtCFD9mR7uFl0AD

Pouca atenção foi dada a A Qualquer Custo e isso é uma pena. Aqui no Brasil o filme ficou em cartaz por apenas algumas semanas em janeiro e a distribuidora California Filmes fez um trabalho bem mediano de divulgação.

 

Embora o filme tenha sido indicado a quatro Oscar – melhor ator coadjuvante para Jeff Bridges, edição, roteiro original e filme –, sua participação foi mais como azarão. Ficou totalmente à sombra de outras obras como La La Land, Moonlight, Manchester à Beira Mar e Até o Último Homem.

 

A história do filme é simples e consegue atrair o público desde as primeiras cenas. Taylor Sheridan, o roteirista, apenas em seu segundo trabalho após estrear com o ótimo Sicário (Dennis Villeneuve, 2015), não perde tempo com personagens ou momentos que não acrescentam nada à trama.

 

Em A Qualquer Custo, os irmãos Toby (Chris Pine) e Tanner Howard (Ben Foster) estão roubando pequenas quantias de dinheiro de filias do banco Texas Midland Bank. O dinheiro servirá para que os irmãos paguem a hipoteca do rancho da família, que está a ponto de ser executada justamente pelo banco que estão roubando. Eles precisam de 43 mil dólares para saldar a dívida e vão atrás dessa exata quantia em seus furtos.

 

Após o segundo roubo, dois policiais Texas Rangers passam a investigar o caso: o delegado Marcus Hamilton (Jeff Bridges), que está prestes a se aposentar, e seu parceiro Alberto Parker (Gil Birmingham), de ascendência indígena e alvo constante das piadas politicamente incorretas de Hamilton.

 

É esta a essência do filme: os roubos e as estratégias para se safar e “lavar” o dinheiro por parte dos irmãos Howard; a caçada e a tentativa dos policiais de adivinhar o próximo assalto da dupla. Dessa forma a complexidade da trama recai totalmente nos personagens e na relação que estabelecem ente si. É aí que os atores tem que “trabalhar” para dar profundidade a seus papéis. E todos conseguem fazê-lo. Em meio a grandes atuações de todos os atores principais, Chris Pine surpreende. Acostumado a aparecer em block busters tais como Star Trek, Caminhos da Floresta e Quero Matar Meu Chefe (ele ainda fará par com Gal Gadot no novo Mulher Maravilha), Pine dá vida ao mais sensato dos irmãos Howard. Sua última cena no filme, o acerto de contas com Jeff Bridges, é atuação pura de ambas as partes, mas em especial um recado de Pine aos expectadores, mostrando que devemos levá-lo a sério.

 

O filme também é um western muito bem executado, que em muitas passagens lembra Onde Os Fracos Não Tem Vez (Joel e Ethan, 2007). As cenas de roubo mostram toda a habilidade da direção de David Mackenzie, transparecendo que os irmãos estudaram o know how de como assaltar um banco, mas que não têm a experiência e malícia para o trabalho. Também é um ótimo thriller de ação. Quando Toby e Tanner são perseguidos por uma série de moradores armados em suas caminhonetes depois de um assalto malfadado, o roteiro brilhantemente opta por uma ação mais simples e efetiva: ao invés de uma já manjada perseguição de carros pela estrada, com batidas e manobras eletrizantes (que com certeza agradariam certo típico de público), eles param o carro no meio da estrada, posicionam-se e abrem fogo pesado contra os moradores, que voltam atrás imediatamente. Genial.

 

Também há um bom espaço para a crítica social. Enquanto os irmãos se deslocam entre as cidadezinhas que assaltam, a câmera foca inúmeros comércios fechados, propriedades abandonadas e anúncios de empréstimo rápido. É uma mostra da decadência financeira no interior dos Estados Unidos, em grande parte reflexo da crise econômica de 2008. Em última instância, as imagens não justificam, mas servem para tentarmos compreender a maneira como os irmãos tentam salvar a propriedade. Trata-se de assaltar aqueles que por tantos anos lhes roubaram.

 

A Qualquer Custo é mais um exemplo de como um roteiro simples pode muito bem se tornar um grande filme. Adicione à formula uma direção muito competente e atores que sabem do seu ofício e o resultado é surpreendente.

 

 

 

Autor: conversandosobrefilmes

Sou doutoranda em História e tento ver filmes com regularidade. Publico aqui sobre obras que de alguma forma me afetaram. Como o nome do blog diz, é uma conversa e não uma análise ou crítica aprofundada. Bem-vindos! :)

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s