Mesmo com pequenas falhas, “Mulher Maravilha” é um marco

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Diretora: Patty Jenkins

País e ano: Estados Unidos, 2017

Duração: 141 minutos

Disponível: Cinemas, format 2D, 3D e IMAX

Destaque: Arrecadou U$103 milhões no final de semana de estreia.

 

É inegável: gostemos ou não, Mulher Maravilha já entrou para a história. Com a soma de 103 milhões de dólares, o filme se tornou a produção dirigida por uma mulher (Patty Jenkins) com maior arrecadação em seu final de semana de estreia. Mantinha antes a façanha, com uma arrecadação de 85 milhões de dólares, Sam Taylor-Johnson, com Cinquenta Tons de Cinza (2015). Além da diferença nos quase 20 milhões entre um filme e outro, há a temática e o protagonismo que as mulheres assumem em cada uma das produções.

A essa altura de sua popularidade, é difícil encontrar alguém que vá ver o filme sem nenhuma informação prévia sobre quem é a Mulher Maravilhosa ou um pouco da mulher por trás da heroína, neste caso, a amazona Diana Prince. Nem mesmo Gal Gadot, a bela atriz israelense que lhe dá vida, nos é uma desconhecida: essa na verdade é a segunda vez que Gadot é a Mulher Maravilha; sua estreia no papel foi no mediano Batman vs. Superman, de 2016. Muitos até dizem que sua aparição como Mulher Maravilha foi o que salvou o filme de ser um completo desastre aos olhos da crítica.

Depois de doze anos temos novamente um filme de super-heroína. As últimas protagonistas foram Mulher Gato (2004) e Elektra (2005). Na ocasião os dois foram fiascos de público e crítico. É preciso dizer: Elektra e Mulher Gato não são filmes ruins porque são estrelados por mulheres, mas porque suas histórias não têm pé nem cabeça, as atuações são sofríveis e o roteiro não faz sentido – pontos que Mulher Maravilha quase passa completamente ao largo.

Então falemos sobre os pontos altos do filme e que estão levando tanta gente ao cinema.

 

[Alerta de spoilers a partir daqui!]

 

Diana Prince faz “merecer” o título de deusa. Além de belíssima (talvez até “muito” bonita, com cabelo e pele maravilhosos do início até o final do filme), ela é educada (não passam despercebidos os inúmeros “me desculpe” que a personagem fala a suas amazonas superiores ainda em sua terra natal, Temiscira), inteligente e musculosa (o treinamento de nove meses de Gal Gadot é visível na tela).

Mulheres dominam boa parte do filme, como bravas amazonas (com destaque para Hippolyta e Antiope, rainha e general das amazonas), químicas brilhantes (Dra. Maru ou Dra. Veneno) e secretárias sagazes (Etta). Os homens estão lá, claro, mas dessa vez, nos desculpem, ficam para coadjuvantes. Chris Pine está ótimo no papel de Steve, tem química com Gadot e se posiciona ao lado do espectador na tentativa de entender quem é Diana e quem são as amazonas, o tal do “audience surrogate”, no jargão da crítica gringa.

Além da representação de uma bonita e forte heroína, o filme deve ser enaltecido pela mensagem que está passando: mulheres podem ser duronas e fazer a diferença em um mundo dominado pelo sexo masculino. Além disso, é vibrante saber que meninos e meninas estão se inspirando nesse tipo de arquétipo feminino.

É claro, o filme tem suas falhas. Tomemos a Dra. Maru, por exemplo. Como vilã, ela é desprovida de qualquer beleza. Na verdade, tem o rosto mutilado por razões que não ficam esclarecidas no filme. É como se, por ser má, ela precise ser feia, em contraste com a beleza estonteante de Diana.

O filme também abusa do CGI para criar explosões colossais e para aumentar a escala da batalha final entre Diana e seu irmão, o deus da Guerra, Ares. O problema é que a tecnologia está longe de parecer real e, como está sendo usada por quase todo block-buster, nem mesmo imprime mais uma sensação de novidade. E pensar que as melhores cenas são as batalhas de corpo a corpo, como o confronto entre amazonas e alemães em Temiscira e o treinamento de Diana. Uma única exceção ao CGI deve ser feita na sequência em que Diana se transforma em Mulher Maravilha: uma sucessão de belas cenas, ação e uma trilha sonora que acompanha em “crescendo” a construção da personagem.

Apesar de algumas falhas, temos que tirar o chapéu para a DC, que finalmente acertou a mão, depois dos frugais Homem de Aço (2013) e Batman vs. Superman. Como mulher, saí das duas sessões a que assisti de Mulher Maravilha que aquele era um baita filme, com uma super-heroína para torcer e me inspirar.

 

Autor: conversandosobrefilmes

Sou doutoranda em História e tento ver filmes com regularidade. Publico aqui sobre obras que de alguma forma me afetaram. Como o nome do blog diz, é uma conversa e não uma análise ou crítica aprofundada. Bem-vindos! :)

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